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on domingo, 23 de junho de 2013

Interlocução do governo Dilma com Congresso não agrada nem oposição nem base aliada

A negociação política entre o Planalto e o Congresso Nacional não agrada nem mesmo os partidos da base aliada do governo.
Sem muito espaço para comunicação, os parlamentares reclamam do excesso de propostas que chega do Executivo e dizem que o Legislativo não consegue mais  discutir e analisar os problemas do País, elaborando ele mesmo seus projetos de lei.
A tensão veio à tona com a discussão de MPs (Medidas Provisórias) polêmicas, que não tinham o consenso dos parlamentares, mas precisavam ser rapidamente votadas antes de perderem a validade.

Foi assim com a MP dos Portos, que criou novas regras para o funcionamento dos terminais portuários no País, e com as medidas provisórias que garantiam o desconto nas contas de luz e a isenção de impostos a importantes setores da economia.
Nesse último caso, o Senado se recusou a votar a matéria a toque de caixa e a MP expirou. O governo precisou de uma manobra política para incluir o texto em outra medida e garantir os benefícios alardeados pelo Planalto.
Divergência na base
Para o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que atuava como líder tucano no Senado até o ano passado, a dificuldade em aprovar matéria do interesse do Executivo revela a falha na interlocução política do governo.
Segundo o senador, a base aliada à presidente Dilma é uma das maiores já vistas no Congresso e mesmo assim ela não consegue o apoio que precisa para aprovar os projetos.
—O governo nunca esteve tão mal servido em matéria de articulação política. Nós nunca vimos aqui incompetência igual a desse momento. O governo não consegue administrar as divergências e os interesses da sua imensa maioria e isso tem dificultado a tarefa de aprovar aqui matérias importantes.
O líder do PT na Câmara dos Deputados, José Guimarães (CE), reconhece que o governo precisa melhorar a relação com deputados e senadores.
— Nós temos que aperfeiçoar essa relação do Executivo com o Legislativo, que pra mim se resume em diálogo, interlocução com os líderes e democratizar a relação com o conjunto dos parlamentares na execução das políticas do governo.
O senador Rodrigo Rollemberg (DF), líder do PSB, partido que também compõe a base aliada ao governo, acredita que há uma falha de comunicação entre a presidente e os parlamentares. Segundo ele, o sentimento é geral entre os líderes, independentemente do partido.
— A demonstração da dificuldade do governo de aprovar temas importantes mostra que há uma necessidade de melhorar a relação política entre o governo e a sua base. [...] É preciso que haja um diálogo maior antes da apreciação das propostas para que o Congresso possa deliberar com mais tranqüilidade.
PMDB insatisfeito
No PMDB, maior partido da base do governo, o clima também é de insatisfação. O senador Romero Jucá  (PMDB-RR), que atuou como líder do governo até o ano passado, reclama da sistemática das MPs.
— Está chegando com muito pouco tempo e o Senado tem sido privado de poder ajudar nessa regulamentação. [...] Precisamos criar uma nova sistemática de medias provisórias, para evitar o desgaste que está acontecendo aqui no Senado.
Jucá também pede que o governo esteja “permanentemente junto à base” e reconhece que há muitas questões que precisam ser resolvidas. O líder do PMDB na Câmara, deputado Eduardo Cunha (RJ), também revela insatisfação, mas prefere não apontar os problemas.
— Os fatos vão por si só se corrigindo e vão se resolvendo. Há defeitos e há virtudes. Esperamos que corrija os defeitos e melhore as virtudes.
Cunha se posicionou contra o governo em vários pontos da MP dos Portos, mas preferiu não detalhar o que considera defeitos da interlocução para não “atiçar” nenhum conflito com o Planalto.

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